Araci Ricardo: uma mulher que fez da solidariedade seu mior legado

A história de Camaçari também é construída por mulheres que, mesmo sem ocupar cargos públicos ou receber grandes homenagens em vida, transformaram suas comunidades por meio do carinho, da dedicação e do exemplo. Entre elas está Araci Barbosa Ricardo de Souza, lembrada por familiares, amigos e vizinhos como uma mulher acolhedora, guerreira e profundamente comprometida com o bem-estar de todos ao seu redor. Araci nasceu em 20 de outubro de 1954, no bairro do Triângulo, em Camaçari. Era filha de um petroleiro e de uma vendedora de confecções. Ainda criança, aos nove anos de idade, enfrentou uma das maiores perdas de sua vida: sua mãe faleceu em um trágico acidente de trânsito. A partir desse momento, assumiu responsabilidades muito cedo, ajudando a cuidar de seus três irmãos mais novos, um deles com apenas dois anos de idade. Durante a juventude, dedicou-se ao bordado, à culinária e aos estudos nas escolas Gonçalo Muniz e São Tomás de Cantuária. Foi nessa época que conheceu aquele que seria seu único grande amor. Casou-se aos 21 anos e formou sua família, construindo uma história baseada no amor, na união e na solidariedade. Na década de 1980, morou no bairro Camaçari de Dentro e, em 1983, mudou-se para a Gleba E, onde viveria por mais de duas décadas e conquistaria o carinho de toda a vizinhança. Araci trabalhou na Escola Anísio Teixeira e também participou da Associação de Moradores da Gleba E, colaborando com iniciativas voltadas para a comunidade. Era conhecida pelo espírito alegre, pela disposição em ajudar e pela participação ativa nas tradições do bairro. Nas festas juninas, era uma das principais responsáveis pela ornamentação da rua onde morava. Suas famosas bandeirolas coloriam o caminho e reuniam os moradores em momentos de celebração. Os vizinhos costumavam dizer que, sem Araci, a festa não era a mesma. Sua casa era um verdadeiro ponto de encontro. As portas estavam sempre abertas para familiares, amigos e vizinhos. Sua generosidade também era conhecida pela mesa farta. O tradicional feijão preparado aos domingos reunia pessoas queridas, e, na Sexta-feira Santa, muitos deixavam suas vasilhas na casa dela na véspera, certos de que receberiam um pouco do almoço preparado com tanto carinho. Para Araci, dividir o que tinha era uma demonstração de afeto. Em 24 de fevereiro de 2015, aos 60 anos, Araci faleceu, deixando um vazio entre familiares, amigos e toda a comunidade da Gleba E. Sua partida foi profundamente sentida por todos que conviveram com ela. O reconhecimento por sua importância veio também da própria comunidade. Em 2016, um grupo de amigos que praticava futevôlei decidiu homenageá-la dando à quadra o nome de Arena Araci. Posteriormente, a praça do bairro também recebeu o nome de Praça Araci Ricardo, eternizando sua memória em um espaço de convivência e lazer para moradores e visitantes. Mais do que uma homenagem, esses espaços representam o carinho e o respeito que Araci conquistou ao longo da vida. Sua história demonstra que a grandeza de uma pessoa não está apenas nos cargos que ocupa, mas na capacidade de acolher, unir pessoas e transformar uma comunidade por meio da generosidade e do amor ao próximo. Araci Ricardo permanece viva na memória de Camaçari como exemplo de força, acolhimento e solidariedade, inspirando novas gerações e reafirmando que a história da cidade também é feita por mulheres que marcaram profundamente a vida de quem esteve ao seu lado.

LIDERANÇA COMUNITÁRIAS

7/19/20261 min read