Dona Zefinha: parteira, líder comunitária e símbolo de solidariedade em Camaçari

Josefa Conceição Silva de Queiroz, carinhosamente conhecida como Dona Zefinha, nasceu em 30 de agosto de 1930, na cidade de Água Branca, em Alagoas. Casada, construiu uma grande família, deixando sete filhos biológicos, duas filhas de criação, 21 netos, 13 bisnetos e cinco tataranetos. Faleceu em 17 de maio de 2023, aos 92 anos, deixando um legado que permanece vivo na memória de inúmeras famílias de Camaçari. A chegada a Camaçari Dona Zefinha chegou a Camaçari em 1959, quando o município ainda enfrentava grandes dificuldades. Naquela época, a cidade não possuía energia elétrica, água tratada, rede de esgoto, hospital ou clínicas. O atendimento médico era bastante limitado e havia apenas um médico conhecido pela população, o Dr. Zé Ellis. Os deslocamentos eram difíceis. O principal meio de transporte era o trem, que circulava pelos trilhos da antiga ferrovia. Em um cenário marcado pela escassez de serviços públicos, Dona Zefinha encontrou uma comunidade que precisava de cuidados e dedicação. Uma das primeiras parteiras de Camaçari Dona Zefinha foi uma das primeiras parteiras a atuar em Camaçari, dedicando sua vida ao cuidado de gestantes e ao nascimento de crianças. Atendeu mulheres da sede do município e também de localidades vizinhas, como Parafuso, Dias d’Ávila e Alagoinhas. Seu trabalho exigia coragem e dedicação. A qualquer hora do dia ou da noite, muitas vezes durante a madrugada, ela montava em seu cavalo e seguia por estradas de terra para atender mulheres em trabalho de parto. Não importavam a distância, a chuva ou a escuridão: quando era chamada, partia imediatamente para cumprir sua missão de cuidar de mães e bebês. Durante décadas, ajudou no nascimento de inúmeras crianças, tornando-se uma figura respeitada e querida por toda a região. Um lar de acolhimento e solidariedade Dona Zefinha morava na Terceira Travessa da Linha nº 12, no bairro dos 46, onde também fundou e manteve um Centro de Umbanda, espaço de acolhimento espiritual e ajuda ao próximo. Sua casa era conhecida pelas portas sempre abertas. Quem chegava nunca saía sem receber alimento. Tudo o que cultivava em seu quintal — frutas, verduras, aves, porcos e outros alimentos — era dividido com pessoas que enfrentavam dificuldades. A generosidade fazia parte de sua maneira de viver, e ajudar o próximo era um compromisso diário. Fé, cultura e tradição Todos os anos, no dia 27 de setembro, Dona Zefinha promovia a tradicional festa de São Cosme e Damião. Preparava um grande caruru, distribuído gratuitamente à comunidade, reunindo crianças, famílias, amigos e visitantes. Após a celebração religiosa, a festa seguia com um animado samba de roda, manifestação da cultura popular baiana que atravessava a noite e frequentemente só terminava ao amanhecer. O evento tornou-se uma tradição aguardada por moradores de diferentes localidades e fortaleceu os laços comunitários. Um legado que permanece vivo A história de Dona Zefinha é a história de uma mulher que transformou a vida de muitas pessoas por meio do cuidado, da solidariedade e da dedicação ao próximo. Parteira, líder comunitária, mulher de fé e referência de generosidade, ela marcou profundamente a história de Camaçari. Seu nome permanece na memória daqueles que nasceram com suas mãos, das famílias que receberam seu apoio e de todos que encontraram em sua casa um lugar de acolhimento. Mais do que ajudar a trazer vidas ao mundo, Dona Zefinha ajudou a construir uma comunidade baseada na solidariedade, no respeito e no amor ao próximo. Seu exemplo continua inspirando novas gerações e ocupa um lugar de destaque na história das mulheres que fizeram Camaçari.

PARTEIRAS

7/18/20261 min read